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Zambelli foge para Itália após condenação de 10 anos pelo STF por invasão ao sistema do CNJ
Por André Morais
Publicado em 28/08/2025 09:48
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A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) foi oficialmente declarada foragida da Justiça brasileira após deixar o país rumo à Itália no dia seguinte à sua condenação pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A parlamentar foi sentenciada a 10 anos de prisão por sua participação na invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em uma ação considerada grave ameaça à integridade das instituições democráticas.

Segundo decisão recente divulgada por juízes do Supremo, Zambelli embarcou em um voo internacional com destino a Roma, partindo de Miami, e desembarcou no Aeroporto de Fiumicino no dia 5 de junho de 2025 — apenas um dia após a emissão da ordem de prisão contra ela.

“A ré chegou em voo internacional de Miami ao Aeroporto de Fiumicino, no dia seguinte à emissão da ordem de prisão, conforme a parte dispositiva da sentença proferida contra ela em 4 de junho de 2025 pelo Supremo Tribunal Federal do Brasil”, cita o trecho da decisão.

A Corte concluiu que Zambelli participou ativamente da invasão ao sistema digital do CNJ, com o objetivo de manipular dados e interferir no funcionamento da Justiça. As investigações apontaram o envolvimento direto da parlamentar com grupos extremistas e agentes especializados em crimes cibernéticos.

A fuga para a Itália reacendeu o debate sobre cooperação internacional e extradição. O Brasil e a Itália mantêm um acordo bilateral de extradição, mas o processo pode se tornar complexo, especialmente por se tratar de uma figura pública e por envolver questões políticas. Fontes ligadas ao Itamaraty confirmam que o governo brasileiro já iniciou os trâmites diplomáticos para solicitar a extradição da deputada.

Zambelli, por sua vez, ainda não se pronunciou oficialmente sobre o paradeiro ou sobre as acusações. Nas redes sociais, aliados da parlamentar têm levantado suspeitas sobre perseguição política, narrativa rejeitada de forma unânime pelos ministros do STF.

A Procuradoria-Geral da República acompanha de perto o caso e afirmou em nota que “não medirá esforços para assegurar que a decisão do Supremo seja cumprida integralmente, com a responsabilização da condenada perante a Justiça”.

Com a fuga, Zambelli poderá ter o mandato parlamentar cassado nos próximos dias. O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), já foi notificado oficialmente da situação e deve convocar o Conselho de Ética para analisar o caso.

A repercussão internacional da fuga pode colocar pressão sobre as autoridades italianas, que deverão avaliar o pedido de extradição com base no tratado assinado entre os dois países e nas garantias legais oferecidas pelo Brasil.

 

Zambelli é a primeira parlamentar condenada pelo STF a fugir do país desde os ataques golpistas de 8 de janeiro de 2023, quando uma série de investigações levou à responsabilização de dezenas de políticos, militares e civis envolvidos em atos antidemocráticos.

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