Offline
Emília X Candisse: Duas tiktokers, sendo que apenas uma assume seu perfil e dá de ombros para críticas
A era das “adversárias tiktokers”: como o algoritmo redefine a política em Sergipe
Por André Morais
Publicado em 30/11/2025 13:04 • Atualizado 30/11/2025 13:11
Noticias

A política está atravessando uma mutação. O laboratório dessa transformação é a rede social. São vídeos curtos, lives improvisadas e narrativas gourmetizadas, roteirizadas e empacotadas. O algoritmo virou cabo eleitoral, o engajamento passou a ser capital político e o discurso agora obedece à lógica da performance.

 

Não é mais preciso ter causa ou grupo; hoje, basta ser aprendiz das artes cênicas para ocupar espaço no debate público. Não importa se é governo ou oposição, direita, centro ou esquerda — todos estão cedendo à tentação do like. Parece uma imposição: ou se adapta, ou desaparece do cenário.

 

Em Sergipe, muitos ainda seguem a lógica da política antiga, onde tudo que não for acordo financeiro é visto como perda de tempo. Mas isso está mudando.

 

Emília Corrêa e Candisse Carvalho representam dois modelos distintos de uma mesma estratégia. Ambas abandonaram, em maior ou menor grau, a política analógica e mergulharam na política virtual e emocional.

 

As duas atuam dentro da lógica dos recortes, de falas simplificadas e vídeos pensados para gerar engajamento e viralização. Mas há um detalhe: cada uma fala mais para sua própria bolha do que para o público geral.

 

São, na prática, duas tiktokers. A diferença é que apenas uma delas assume isso com transparência.

 

Emília foi apelidada desde o início de “prefeita tiktoker”, por sua atuação nas redes, especialmente no Instagram. Em entrevista ao Jornal da Fan, foi confrontada com o rótulo. Respondeu com leveza, fez trejeitos, desdenhou e, na sequência, firmou a voz para dizer que, apesar dos incomodados, continuaria ocupando todos os espaços. Ou seja: deu de ombros para as críticas e segue performática, dialogando bem com sua bolha, sem perder audiência.

 

Candisse, por sua vez, também faz política com estética de internet. Não é disfarçado, não é acidental: é método. Vídeos diários, narrativa contínua, linguagem cheia de símbolos e elementos complementares. Sua estratégia segue a cartilha dos políticos tiktokers: repetição, indignação calculada e construção de vilões — no caso, uma vilã, já que mira Emília sem piedade.

 

Quando foi criticada por seguir o mesmo caminho, sendo chamada de tiktoker por uma seguidora, não gostou. Evocou sua formação: “Eu não sou tiktoker. Sou comunicadora, mestra em políticas públicas e governo. Nem posto vídeos lá na rede vizinha”, respondeu. Na lógica dela, o rótulo dependeria de usar o TikTok. Ela sabe que não, mas a resposta desviou do ponto central: sua forma de comunicar é a mesma de Emília.

 

Sergipe, o Brasil e o mundo assistem, em tempo real, a um novo capítulo da comunicação política. A política muda não porque os políticos querem, mas porque o algoritmo exige. Aracaju vive a era das adversárias tiktokers.

 

NOTAS DA SEMANA

 

 

Emília x Candisse

Enquanto gestora, Emília tem maior alcance. Não por ter nas mãos o “sistemão”, mas pela dinâmica dos desafios que enfrenta: como prefeita, precisa falar de tudo e estar em todos os espaços. Além disso, tem mais estrutura para comunicar.

 

Emília x Candisse II

A oposição sempre tem o melhor terreno para críticas. Candisse aproveitou esse espaço e trabalha diariamente para construir a narrativa de que Emília comanda uma gestão corrupta. Sem rodeios, esse é o objetivo central dela.

 

Emília x Candisse III

Após um primeiro semestre conturbado, Emília parece entrar numa fase mais equilibrada, com foco nas entregas. Isso dificulta a popularização dos conteúdos oposicionistas, pois fases positivas criam um “escudo” natural de defesa.

 

Até Elber

Até o vereador Elber Batalha, reconhecido pela moderação, entrou na lógica da narrativa repetitiva. A crítica à quantidade de cargos na Emsurb é um exemplo: justa, mas feita de modo que facilitou a defesa imediata da gestão.

 

Erro de análise

As assessorias têm cometido um erro básico: avaliar curtidas, comentários e compartilhamentos como sinônimo de autoridade política. Números altos não garantem voto. Vários influenciadores gigantes fracassaram nas urnas.

 

Assessoria de Emília erra

A equipe da prefeita errou ao judicializar o embate com Candisse. Deu à adversária o palco que ela queria. Pior: após acionar a Justiça, silenciou. Nenhum contraponto às críticas — o cenário perfeito para quem ataca.

 

Marcos: empáfia ou impetuosidade?

Não é a primeira vez que o ex-prefeito de São Cristóvão, Marcos Santana, se envolve em polêmica ao ser confrontado. Já mandou um morador “para aquele lugar”. Quase foi às vias de fato com o vereador Lilo Abençoado. E, nos últimos dias, fez comentário desrespeitoso sobre a comunicadora Aida Brandão.

 

Marcos II

O tratamento dado a uma mulher destoa do discurso progressista que ele sempre defendeu. A crítica era dura: acusaram-no de não permitir que o atual prefeito Júlio tenha protagonismo. Se seguir esse padrão, vai mandar muita gente “tomar nas duas letras”.

 

Marcos tem futuro

As críticas só existem porque Marcos é relevante. É a maior liderança de São Cristóvão das últimas décadas: eleito sob desconfiança, reeleito com votação histórica, fez deputado estadual e elegeu seu sucessor. Já foi cotado para disputar o governo. Precisa ajustar o comportamento.

 

Fábio deve anunciar

Se depender da vontade do governador Fábio Mitidieri, ele anuncia ainda em dezembro seu segundo nome para o Senado: Alessandro Vieira. Quer encerrar especulações sobre possível reaproximação com o PT.

 

Fábio deve anunciar II

Hoje, sem definição na oposição, o cenário é favorável. Porém, se Valmir seguir conselhos e voltar a se mover politicamente, o quadro muda. Anunciar agora pode engessar o governador no futuro.

 

Oposição, Podemos e Republicanos

A chegada do Podemos foi tranquila. Já o Republicanos trouxe um impasse “velado”: Emília e Valmir parecem disputar o comando estadual da sigla — nenhum admite. Emília diz “vamos aguardar”; Valmir diz “prefiro não comentar”.

 

Gustinho foi prejudicado?

Até agora, sim. Perdeu o partido e ainda corre risco de perder a chapa de aliados que montou. Os novos líderes do Republicanos já sondam nomes que ele considerava garantidos.

 

Eliane vai à estadual?

Ganha força a possibilidade de Eliane Aquino disputar vaga na Assembleia Legislativa. Ela deve se reunir com o presidente nacional do PT nos próximos dias. Em enquete no @comnarcizomachado, 76% apoiaram sua candidatura.

 

Fábio agradece Valmir

A chegada de Valmir à Prefeitura de Itabaiana ajudou Fábio a neutralizar a narrativa de que ele promove muitas festas. Valmir equilibra o jogo. Após o título do Flamengo — e em seu próprio aniversário — Itabaiana teve até arrastão. A dúvida é: quem paga a conta?

 

Investimentos crescentes

O secretário Cláudio Mitidieri destacou, em entrevista ao Jornal da Fan, investimentos na saúde: modernização de unidades, renovação da frota do Samu e mais de 40 mil procedimentos eletivos realizados pelos programas Opera Sergipe e Enxerga Sergipe.

 

Entrega confirmada

Cláudio também confirmou a inauguração, em dezembro, da primeira etapa do Hospital do Câncer de Sergipe Governador Marcelo Déda. Um marco histórico esperado pela população e pela classe médica.

 

CNH Caminhoneiro ampliado

O programa passou de 1 mil para 2,5 mil vagas após projeto encaminhado pela primeira-dama Érica Mitidieri. A medida abre novas oportunidades para quem busca habilitação C e E gratuitamente.

 

Mais empregos

Foram aprovados incentivos fiscais e locacionais para sete novas indústrias por meio do PSDI. Os investimentos somam mais de R$ 33 milhões e devem gerar cerca de 250 empregos diretos em Aracaju, Santo Amaro das Brotas, Frei Paulo, Ribeirópolis e Nossa Senhora do Socorro.

 

Comentários