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Racha na oposição expõe vaidades e disputa por poder em Sergipe
Ausência de Emília Corrêa em evento de Rodrigo Valadares aprofunda tensão, gera desconforto em Ricardo Marques e evidencia dificuldade do bloco em acomodar lideranças para 2026
Por André Morais
Publicado em 26/01/2026 10:15
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Ainda desde meados de 2024, o racha da oposição em Sergipe passou a se evidenciar, com o grupo se digladiando em meio a intensos jogos de vaidade e disputas por poder. Tudo indica que esse processo está longe de acabar e pode ser ainda maior do que se imagina, especialmente diante da falta de consenso para as eleições e da dificuldade do bloco em acomodar algumas de suas principais lideranças, a exemplo de Rodrigo Valadares (UB) e Ricardo Marques (Cidadania).

Essa fragilidade ficou ainda mais exposta nos últimos dias após a ausência da prefeita de Aracaju, Emília Corrêa (Republicanos), na solenidade de lançamento da pedra fundamental do Hospital Deputado Pedrinho Valadares, em Nossa Senhora do Socorro. O episódio ganhou repercussão sobretudo porque Rodrigo afirmou que a gestora foi convidada. Em entrevista, o deputado declarou que o convite foi feito a todos, que compareceu quem quis estar presente, e justificou que Emília não pôde participar por conta de outro compromisso previamente assumido.

Mesmo assim, o gesto político foi suficiente para acender novas especulações sobre possíveis desgastes entre os aliados. Nos bastidores, a avaliação é de que o clima de unidade defendido publicamente não tem se refletido na prática.

Para Ricardo Marques, mesmo que a prefeita não pudesse comparecer, o movimento correto teria sido o envio de um representante, em sinal de consideração política. “Eu fiquei triste. Praticamente não tinha ninguém do nosso agrupamento lá”, pontuou o vice-prefeito.

A reação não demorou. Rodrigo reforçou o sentimento externado por Ricardo e deixou clara a dificuldade que, segundo ele, o grupo liderado por Emília enfrenta para acomodar suas próprias lideranças. “Eu convidei a TODOS. Obrigado por ter comparecido, Ricardo. Seguimos buscando o fortalecimento da oposição em Sergipe e a construção do palanque de Flávio Bolsonaro. Não tenho vaidades. Temos projetos pra Sergipe e pro Brasil. Isso é inegociável. Que o grupo que venceu em 24 tenha a maturidade e saiba que nenhum soldado pode ficar pra trás”, escreveu o deputado nas redes sociais.

 

O episódio expõe mais que uma ausência: revela o embate silencioso por espaço, protagonismo e controle político dentro da oposição sergipana, que, em vez de se organizar para o futuro, segue travada por disputas internas que podem custar caro nas próximas eleições.

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