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PT pode sair zerado em Sergipe em 2026
Disputa entre João Daniel e Márcio Macedo expõe racha interno e ameaça a sobrevivência eleitoral do partido na Câmara Federal
Por André Morais
Publicado em 27/01/2026 16:03
Noticias

A disputa proporcional de 2026 coloca o Partido dos Trabalhadores em Sergipe diante de um cenário delicado e perigoso: a dificuldade histórica de eleger mais de um deputado federal. Com João Daniel e Márcio Macedo concorrendo simultaneamente, a legenda passa a administrar um dilema que pode definir não apenas quem se elege, mas se o PT conseguirá, sequer, manter representação na Câmara dos Deputados.

Nos bastidores, a avaliação é direta: o partido corre o risco de se autofragmentar. JD enfrenta um contexto bem mais complexo do que em eleições anteriores. Embora mantenha um mandato marcado pela coerência ideológica e forte ligação com movimentos sociais, sindicatos e a agricultura familiar, o deputado agora precisa dividir espaço com Márcio, que retorna ao cenário eleitoral com musculatura política ampliada após passagem pelo governo federal e relação direta com o presidente Lula.

Márcio entra na corrida com vantagens competitivas claras: maior exposição nacional, poder de articulação com prefeitos e lideranças municipais e capilaridade eleitoral em regiões estratégicas do estado. Na prática, o que deveria ser força vira disputa interna, transformando companheiros de sigla em concorrentes diretos pelo mesmo eleitorado.

O embate, portanto, não é apenas externo. Para João Daniel, o cenário se tornou um verdadeiro teste de sobrevivência política. E há um alerta que ecoa dentro do partido: se nenhum dos dois atingir votação suficiente para elevar a legenda acima do quociente eleitoral, o PT pode ficar sem nenhuma cadeira na Câmara Federal em 2026 hipótese considerada real diante do aumento da competitividade e da pulverização dos votos.

Os números reforçam o risco. Em 2022, João obteve 68.969 votos, Eliane Aquino 66.072, enquanto Dandara somou apenas 2.884. Já em 2018, JD registrou 59.933 votos, Márcio fez 49.055, e a professora Ângela alcançou 13.528. Ou seja: o partido já mostrou dificuldade histórica para concentrar votos suficientes quando seus principais nomes disputam o mesmo espaço.

 

A pergunta que circula nos bastidores é simples e incômoda: o PT de Sergipe vai somar forças ou repetir o erro de dividir o próprio eleitorado e correr o risco de desaparecer da bancada federal?

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