O clima político em Tomar do Geru ficou ainda mais tenso após declarações do prefeito Jal Construções, que adotou um tom considerado soberbo e desrespeitoso ao se referir à própria vice-prefeita e a vereadores do município. Em entrevista recente, Jal afirmou que não precisou da vice para vencer as eleições e chegou a dizer que, se tivesse escolhido outro nome para compor a chapa, o grupo político teria alcançado uma diferença superior a três mil votos.
A fala, além de minimizar o papel institucional da vice-prefeita, expõe uma postura de ingratidão política e desprezo pelo processo democrático. Ao sugerir que venceu sozinho, o prefeito ignora que a eleição foi disputada por uma chapa escolhida pelo povo, e não por projetos individuais de poder.
A resposta veio de forma imediata. Por meio das redes sociais, a vice-prefeita Marleide Diniz rebateu as declarações e afirmou que nunca pediu para ocupar cargo algum. Segundo ela, o próprio prefeito e sua esposa, Patrícia, foram atrás de seu nome para compor a chapa, chegando inclusive a impor decisões partidárias durante o período eleitoral.
Marleide foi direta ao classificar Jal como mentiroso e reforçou que sua escolha como vice não foi resultado de acordos de bastidores, mas da vontade popular. Também negou qualquer envolvimento com compra de apoio político, afirmando que essa é uma prática atribuída a outras pessoas, em crítica clara à forma como a política local vem sendo conduzida.
O episódio não é isolado e reforça um padrão de comportamento já conhecido pela população de Tomar do Geru. Jal tem sido marcado por atitudes autoritárias e traços de coronelismo político, com tentativas recorrentes de intimidar quem se posiciona de forma contrária a ele. O ataque público à própria vice-prefeita revela dificuldade em conviver com o contraditório e uma visão ultrapassada de poder, baseada mais na imposição do que no diálogo institucional.