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Emília entre dois palanques: silêncio estratégico ou recuo calculado?
Prefeita de Aracaju é pressionada por aliados bolsonaristas após mudança de discurso sobre Senado e apoio para 2026
Por André Morais
Publicado em 19/02/2026 09:13 • Atualizado 19/02/2026 09:22
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Não é de hoje que a prefeita de Aracaju, Emília Corrêa (Republicanos), enfrenta críticas de bolsonaristas mais alinhados ideologicamente por adotar uma postura considerada “em cima do muro” em pautas caras ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). No entanto, nas últimas semanas, o desconforto deixou os bastidores e passou a ganhar contornos públicos e mais duros.

O estopim foi a mudança no discurso da gestora sobre a disputa ao Senado em 2026. Em um primeiro momento, Emília foi enfática ao afirmar que uma das duas vagas estaria, “com certeza”, destinada a Rodrigo Valadares (UB). Disse manter a palavra e chegou a ironizar a possibilidade de outro nome ocupar o espaço, o que provocou ruídos dentro do próprio agrupamento político, especialmente entre aliados de Valmir de Francisquinho (Republicanos), que também mira a cadeira.

Semanas depois, porém, o tom mudou. A prefeita passou a defender que o grupo político cresceu, incorporou novos partidos e lideranças, e que as decisões não seriam individuais. Segundo ela, caberá ao bloco “bater o martelo” sobre os nomes que disputarão o Senado. A fala foi interpretada por setores da direita como um recuo estratégico ou, para críticos mais incisivos, uma tentativa de redistribuir responsabilidades após ter adotado postura considerada centralizadora.

Quem vocalizou a insatisfação foi Flávio (PL), um dos nomes mais influentes da direita sergipana. Ele cobrou publicamente coerência da prefeita e relembrou que, em 2024, quando Emília buscou o apoio de Jair Bolsonaro para a Prefeitura de Aracaju, não houve consulta ampliada ao grupo político. O ex-presidente gravou vídeo, declarou apoio e ajudou a mobilizar o eleitorado bolsonarista na capital.

Para aliados do ex-presidente, a conta agora estaria sendo apresentada. O argumento é simples: se em 2024 a prefeita recorreu diretamente ao capital político de Bolsonaro para fortalecer sua candidatura, não faria sentido adotar, em 2026, um discurso de decisão coletiva quando o tema envolve o palanque bolsonarista e os nomes apoiados pelo grupo.

Nos bastidores, a avaliação é de que Emília tenta equilibrar forças. De um lado, o núcleo ideológico que exige alinhamento claro ao bolsonarismo. De outro, a necessidade de ampliar a base e manter pontes com setores mais moderados especialmente diante de um cenário eleitoral que ainda está em formação.

A pergunta que ecoa entre aliados e adversários é direta: a prefeita está construindo uma estratégia de sobrevivência política ou arriscando perder a confiança do eleitorado que a ajudou a chegar ao comando da capital?

 

Com 2026 se aproximando, o espaço para ambiguidades tende a diminuir. E, na política, silêncio ou mudança de tom raramente passam despercebidos.

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