A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CMPI) que apura possíveis irregularidades no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) aprovou, nesta quinta-feira, 26, a quebra dos sigilos bancário e fiscal do empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, e a convocação do ex-deputado federal e pré-candidato ao Senado, André Moura.
A sessão, que já ocorria sob forte clima de embate político, foi suspensa após confusão entre os integrantes da comissão. Parlamentares trocaram acusações, houve bate-boca e registro de empurrões no plenário.
O pedido de quebra de sigilos de Lulinha foi apresentado pelo deputado Alfredo Gaspar (União-AL). Já a convocação de André Moura partiu do deputado Rogério Correia (PT-MG). No requerimento, Correia aponta o ex-deputado como um dos “possíveis articuladores” de um suposto esquema de fraudes no INSS, com atuação destacada em Sergipe.
O nome de Lulinha também aparece em decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que autorizou a Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) a deflagrarem, em 18 de dezembro de 2025, mais uma fase da Operação Sem Desconto. A investigação apura um suposto esquema nacional de descontos associativos indevidos aplicados a beneficiários da Previdência.
De acordo com a apuração, mensagens extraídas pela PF do celular de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS” e apontado como operador do esquema, mencionam o repasse de ao menos R$ 300 mil para “o filho do rapaz”. Segundo os investigadores, a expressão faria referência a Lulinha.
As decisões da CMPI ampliam o alcance político da investigação e devem intensificar o embate entre governistas e oposição nas próximas semanas, especialmente com a proximidade do calendário eleitoral de 2026.