Os bastidores da política na capital estão em ebulição. Os sinais de desgaste entre a prefeita Emília Corrêa (Republicanos) e o deputado federal Rodrigo Valadares (UB) deixaram de ser ruídos isolados e passaram a configurar uma crise aberta, com potencial para provocar mudanças profundas na gestão municipal.
O estopim mais evidente pode ser a possível saída de Simone Valadares, mãe do parlamentar, da Secretaria de Assistência Social. Embora a secretária venha sendo bem avaliada administrativamente, fontes ligadas ao núcleo da prefeita apontam que sua permanência tornou-se politicamente insustentável diante da escalada de tensão entre os dois líderes.
Rodrigo foi peça-chave na eleição de Emília em 2024, ao lado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e do eleitorado conservador no Estado. O alinhamento político, à época celebrado como estratégico, hoje parece ruir sob o peso de disputas partidárias e divergências públicas.
A crise começou a ganhar corpo após a mudança no comando do PL. Em vez de permanecer na legenda ao lado de Rodrigo e reforçar laços com o bolsonarismo, Emília optou por seguir Edivan Amorim no Republicanos. O gesto foi interpretado como sinal de distanciamento e gerou desconfiança no grupo do deputado.
Em 2025, a prefeita ainda chegou a anunciá-lo como um dos seus pré-candidatos ao Senado, ao lado de Eduardo Amorim. No entanto, após novos episódios envolvendo o PL, recuou e transferiu a decisão para o grupo político, movimento que foi lido como enfraquecimento do compromisso firmado anteriormente.
A reação foi imediata. Rodrigo e aliados intensificaram a pressão pública para que a prefeita cumpra os acordos de 2024. Nos bastidores, já se fala que, caso Emília recue definitivamente, poderá carregar o rótulo de “traidora” dentro do campo conservador — um desgaste com potencial impacto direto nas eleições de 2026.
Se confirmada, a exoneração de Simone Valadares não será apenas uma troca administrativa. Será o símbolo de um rompimento político que pode redesenhar alianças, fragmentar a base governista e abrir espaço para uma disputa ainda mais acirrada no cenário estadual.
A pergunta que ecoa nos corredores do poder é direta: Emília manterá a palavra empenhada ou escolherá um novo caminho político, mesmo ao custo de um racha público?