Em Tobias Barreto, duas importantes estruturas educacionais tornaram-se símbolo de abandono e descaso: a Escola Rural Engenheiro José Carvalho e o CAIC. O que antes representava avanço, oportunidade e futuro para jovens da zona rural, hoje levanta questionamentos e revolta na população.
“Realmente, meu amigo, nada aqui vai para frente. É uma pena este descaso. O povo e os representantes deveriam cobrar, como no caso os vereadores. Parece também que temos um deputado para tomar decisões a favor do povo, mas nada! Quando Tobias Barreto, no leito de morte, lhe perguntaram: ‘Tobias, o que o senhor deseja para o seu povo?’ Ele respondeu: CULTURA… mas o povo entendeu COSTURA! É uma pena o que fizeram”, desabafa Djavan Rodrigues Díu.
A declaração traduz o sentimento de indignação de quem acompanhou de perto a construção e o funcionamento da Escola Rural Engenheiro José Carvalho — uma unidade moderna, considerada futurística para os padrões da região, localizada no Bairro Cruz, atendendo também o Conjunto Irmã Dulce.
Uma escola pensada para transformar vidas
A proposta da Escola Rural era clara: atender jovens e adolescentes das zonas rurais de Tobias Barreto e de municípios em um raio de até 150 quilômetros.
O projeto ia além do ensino tradicional. O ciclo formativo incluía curso técnico voltado para:
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Agricultura familiar
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Agronegócio
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Agropecuária
A formação possibilitava que o aluno retornasse às suas comunidades com qualificação profissional, fortalecendo a economia local e reduzindo o êxodo rural.
A estrutura oferecida impressionava:
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Alimentação escolar
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Auditório
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Pátio coberto
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Área verde
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Biblioteca
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Sala de leitura
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Refeitório
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Sala de professores
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Parque aquático
Sim, um parque aquático — pensado como ferramenta pedagógica e de lazer para os estudantes.
Um investimento que virou símbolo de abandono
O engenheiro José Carvalho, nascido em família humilde e que conquistou sucesso no mundo dos negócios, conheceu Tobias Barreto por intermédio de Djavan Rodrigues Díu e se encantou pela cidade. O projeto nasceu de um sonho: investir em educação como instrumento de transformação social.
A obra foi acompanhada desde o início até a conclusão. Havia entusiasmo, expectativa e orgulho.
Hoje, resta a pergunta que ecoa entre moradores:
A quem interessa fechar uma escola com essa estrutura e esse propósito?
O silêncio das autoridades
O fechamento e o esvaziamento do CAIC e da Escola Rural levantam questionamentos sobre prioridades administrativas e políticas públicas no município. Estruturas prontas, equipadas e com finalidade social clara deixaram de cumprir sua função.

A população cobra posicionamento. Vereadores, deputados e gestores públicos são citados nas críticas pela falta de mobilização efetiva para manter as unidades em funcionamento.
Enquanto isso, jovens da zona rural perdem oportunidades de qualificação técnica e inserção no mercado de trabalho.
A educação, que deveria ser pilar do desenvolvimento, tornou-se palco de um debate que mistura política, responsabilidade pública e o futuro de toda uma geração.
Em uma cidade marcada pelo nome de Tobias Barreto, cuja última palavra simbólica teria sido “Cultura”, a pergunta permanece:
Estamos honrando esse legado ou apenas assistindo, em silêncio, ao abandono de um sonho coletivo?