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Crise no Palácio: André Moura perde cargo em Brasília e vira alvo de pressão para deixar Governo do RJ
Exoneração expõe racha na base aliada, amplia desgaste após prisão de Rodrigo Bacellar e coloca permanência do sergipano no centro da turbulência política fluminense
Por André Morais
Publicado em 04/03/2026 14:24
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A situação política de André Moura (UB) no Rio de Janeiro entrou em rota de colisão. O ex-deputado federal foi exonerado do cargo interino de secretário de Representação do Governo em Brasília após forte pressão de lideranças do PL e de integrantes da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Nos bastidores, a leitura é clara: a permanência de Moura havia se tornado insustentável.

Aliado direto do presidente afastado da Alerj, Rodrigo Bacellar (UB), preso em dezembro de 2025, André viu seu nome ser associado ao núcleo político que passou a concentrar desgastes e desconfianças dentro do Palácio. Ele, inclusive, chegou a ser citado como possível integrante de um secretariado em caso de Bacellar assumir o comando do Executivo estadual movimento que acendeu alertas na base governista.

Desde a prisão de Bacellar, a resistência a André cresceu de forma silenciosa, mas constante, dentro do grupo do governador Cláudio Castro. O desconforto, que antes era tratado nos bastidores, ganhou contornos públicos com a exoneração oficializada em edição extra do Diário Oficial publicada ontem, 3.

Para o posto em Brasília, foi nomeado Braulio do Carmo Vieira de Melo, delegado da Polícia Federal e ex-secretário-adjunto de Operações Integradas do Ministério da Justiça e Segurança Pública escolha interpretada como um gesto de distanciamento político e de sinalização técnica em meio à crise.

Agora, o foco das lideranças do PL e de setores da Alerj é outro: a saída de André do cargo de secretário de Governo, função estratégica no Palácio Guanabara e peça-chave na articulação entre Executivo e Legislativo. Para críticos, manter Moura na engrenagem central da articulação política seria um risco em um momento de instabilidade.

A crise expõe fissuras na base aliada e evidencia que o desgaste não se limita a uma exoneração pontual. O que está em jogo é a sobrevivência política de André Moura dentro da estrutura do governo fluminense e, sobretudo, o grau de tolerância da base com figuras associadas ao núcleo mais controverso do poder na Alerj.

 

Nos corredores do Palácio, a pergunta já não é se haverá novos desdobramentos, mas quando.

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