Em Nossa Senhora do Socorro, o calendário político tem datas curiosas e uma delas parece ter ficado marcada pelo cheiro forte no ano passado. A tradicional distribuição de peixe, que deveria simbolizar cuidado e apoio às famílias em período religioso, acabou virando motivo de revolta entre moradores.
Teve gente abrindo sacola e fechando o nariz, dona de casa devolvendo o alimento indignada e a prefeitura correndo para explicar o ocorrido. A versão oficial apontou um problema no resfriamento do pescado. A justificativa até veio, mas para quem recebeu peixe estragado, a situação passou longe de qualquer explicação técnica convincente.
Agora, com a proximidade de um novo período de distribuição, a desconfiança voltou a circular nas conversas da cidade. Muitos moradores já não perguntam mais o peso do peixe, mas sim se o alimento vai estar próprio para consumo. Afinal, quando a confiança azeda, leva tempo para voltar ao ponto.
E o descontentamento não se limita apenas ao episódio do pescado. Em diferentes setores da cidade, críticas à gestão também têm ganhado espaço. Na educação, professores relatam insatisfação, apontando cobranças crescentes, sensação de desvalorização e falta de diálogo com a categoria.
Enquanto isso, outro problema tem chamado atenção nas ruas: o aumento da taxa de lixo. Moradores afirmam que, mesmo pagando mais caro, ainda convivem com acúmulo de resíduos em vários bairros. Em algumas áreas, o lixo parece circular mais do que os próprios caminhões de coleta, transformando pontos da cidade em vitrines de descaso.
Diante das críticas, a gestão costuma apresentar dados, números e justificativas técnicas. No entanto, para muitos moradores, o que pesa de verdade é a experiência do dia a dia. E quando os problemas persistem, a paciência da população tende a diminuir.
No fim das contas, o teste da política é simples: garantir que o básico funcione com dignidade. Isso inclui educação valorizada, cidade limpa e serviços públicos que realmente atendam a população.
Porque, para muitos socorrenses, a expectativa é clara: menos explicações e mais soluções. Afinal, a cidade merece muito mais do que promessa fresca e serviço vencido.