A disputa pela segunda vaga ao Senado em Sergipe já começou a pegar fogo nos bastidores — e agora também nas redes sociais. Desde que André David (Republicanos) entrou oficialmente na corrida, o cenário entre os nomes da direita voltou a se embaralhar, acirrando a disputa interna pelo eleitorado conservador.
O primeiro grande embate veio com o deputado federal Rodrigo Valadares (PL), que hoje aparece como um dos favoritos dentro desse campo político. Em uma publicação nas redes sociais, Rodrigo disparou críticas diretas ao delegado, chamando-o de “falso bolsonarista” e “caroneiro”.
“André David pode aparentar ser de direita, mas nunca foi bolsonarista. Nunca falou de anistia, liberdade pra Bolsonaro e principalmente impeachment de ministro”, escreveu o parlamentar.
Rodrigo também questionou o engajamento político do delegado, afirmando que ele não participava efetivamente dos movimentos da direita. Segundo o deputado, André teria sido convidado diversas vezes para atos e mobilizações, mas não teria se envolvido.
“Foi convidado várias vezes para atos e movimentos e nunca respondeu. Tirava foto e ia pra casa”, criticou.
As declarações ficaram ainda mais duras quando Rodrigo insinuou que o delegado não teria condições de enfrentar o sistema político e jurídico. Para o deputado, “prender peixe pequeno é fácil”, mas para enfrentar os grandes seria necessário estar “limpo de processos”, numa clara provocação.
A resposta veio rapidamente. Também pelas redes sociais, André David reagiu às acusações e tentou afastar qualquer associação com a esquerda.
“Nunca fiz o L! Sou lobo e não melancia. Entendedores entenderão”, escreveu.
A expressão “melancia”, usada pelo delegado, é uma gíria comum no meio político para se referir a alguém que se apresenta como de direita, mas que, segundo críticos, teria posicionamentos alinhados à esquerda.
O confronto público expõe uma divisão cada vez mais evidente dentro do campo conservador em Sergipe e indica que a disputa pelo eleitorado bolsonarista deve ser uma das mais duras da corrida ao Senado. Nos bastidores, aliados já admitem que o embate entre os dois pode ser apenas o começo de uma guerra política que tende a se intensificar à medida que o processo eleitoral se aproxima.