Em meio ao cenário crítico de desabastecimento que tem atingido diversos municípios sergipanos, a Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de Sergipe (Agrese) publicou uma portaria que impõe novas regras à atuação da Iguá Sergipe e o tom é de endurecimento.
A principal mudança atinge diretamente o bolso do consumidor: está suspensa a cobrança com base na tarifa mínima de 10m³. A partir de agora, a concessionária só poderá faturar o volume efetivamente registrado no hidrômetro. Na prática, se o morador consumir apenas 3m³, pagará apenas por esse volume e não mais pelo mínimo estabelecido, como vinha ocorrendo até então.
A decisão escancara uma crítica direta ao modelo de cobrança adotado até aqui, considerado injusto por muitos usuários que, mesmo enfrentando torneiras secas, continuavam recebendo contas elevadas. Pela nova regra, também ficam proibidos critérios como consumo presumido, média histórica ou qualquer cálculo desvinculado da medição real.
Mas o recado da Agrese vai além da conta de água. A portaria determina que a Iguá Sergipe comprove, a cada ciclo de faturamento, que está cumprindo as novas regras, além de garantir acesso contínuo e online aos seus sistemas de monitoramento operacional. Um nível de fiscalização que evidencia a desconfiança sobre a atual prestação do serviço.
O ponto mais sensível, no entanto, está no alerta final: caso persistam falhas como desabastecimento, intermitência ou falta de transparência, a Agrese poderá acionar o Estado para avaliar uma possível intervenção na concessão medida extrema que pode mudar os rumos do serviço no estado.
Enquanto isso, a população segue no centro do impasse: entre promessas de normalização e a realidade de dias ou até semanas sem água nas torneiras.