A Polícia Civil de Sergipe confirmou, neste sábado (9), que a morte da professora Rayanna Helem Santos Bezerra, de 32 anos, foi resultado de um feminicídio por envenenamento. O principal suspeito do crime é o ex-companheiro da vítima, Everton Ferreira de Souza, que foi preso temporariamente pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
De acordo com as investigações, o suspeito teria manipulado emocionalmente a vítima e simulado um pacto de suicídio para executar o crime. Diante dos indícios, o DHPP já solicitou à Justiça a conversão da prisão temporária em preventiva.
Segundo o delegado Kássio Viana, responsável pelo caso, a ocorrência chegou inicialmente às autoridades como um suposto suicídio envolvendo um casal. No entanto, inconsistências chamaram a atenção da equipe policial ainda no local.
“Quando chegamos, a situação parecia uma tentativa de suicídio conjunta. Porém, o homem estava consciente e sem sinais compatíveis com ingestão de veneno, enquanto a mulher já estava sem vida”, explicou o delegado.
Em depoimento, o suspeito afirmou que a vítima enfrentava um quadro depressivo e teria sugerido um suicídio conjunto. Ele relatou ter preparado dois potes de sorvete com veneno, versão que passou a ser questionada após análise técnica.
“No relato, ele disse que ingeriu o veneno e dormiu logo em seguida, o que não condiz com os efeitos normalmente observados em casos de intoxicação”, detalhou Kássio Viana.
As investigações também apontaram que a professora já demonstrava medo do investigado meses antes do crime. Em novembro de 2025, ela chegou a pedir a presença de amigos por temer pela própria vida.
Além disso, mensagens extraídas dos celulares revelaram que o suspeito incentivava constantemente a vítima a cometer suicídio. Em uma das conversas, ela questiona por que ele não tentava convencê-la a desistir, mas ele continuava reforçando a ideia.
“Ele estimulava o suicídio o tempo todo. Chegou a afirmar que diluiria o veneno em um doce, exatamente como ocorreu”, afirmou o delegado.
A Polícia Civil trabalha com duas principais linhas de investigação: a de que o suspeito convenceu a vítima a ingerir o alimento envenenado acreditando que ele também consumiria a substância, ou a de que ela ingeriu o produto sem saber da presença do veneno.
“Em qualquer uma das hipóteses, trata-se de homicídio. Não é auxílio ao suicídio. Houve uma execução planejada e direta”, reforçou Kássio Viana.
Ainda segundo a investigação, o suspeito não aceitava o fim do relacionamento e utilizava manipulação emocional para manter a vítima próxima. O caso chama a atenção das autoridades pelo nível de planejamento.
“A maioria dos feminicídios ocorre em contextos de explosão emocional. Neste caso, houve preparação, manipulação psicológica e planejamento desde o ano passado. É um crime com requintes de crueldade”, concluiu o delegado.
O caso segue em investigação.