A aproximação entre Fábio Mitidieri (PSD) e o senador Rogério Carvalho (PT), adversários diretos na eleição de 2022, voltou a gerar forte repercussão no cenário político sergipano. O movimento, que garante espaço ao petista na chapa governista, tem sido alvo de críticas de setores da oposição e até de aliados históricos, que apontam incoerência no discurso adotado durante a campanha passada.
A pré-candidata a deputada estadual Candisse Carvalho, esposa de Rogério, tentou minimizar o desgaste ao afirmar que não houve “saia justa” na construção da aliança. Segundo ela, o entendimento ocorreu de forma “madura” e com foco em um projeto político maior. A declaração, no entanto, não foi suficiente para conter os questionamentos.
Nos bastidores, críticos lembram que, em 2022, Rogério e Mitidieri protagonizaram uma disputa acirrada, marcada por ataques diretos e divergências profundas sobre os rumos do estado. Agora, a união entre os dois levanta dúvidas sobre até que ponto diferenças ideológicas foram deixadas de lado em nome de conveniência eleitoral.
Outro ponto que tem provocado debate é o alinhamento do PT local com o governo estadual, que não integra formalmente a base mais fiel do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para analistas políticos, a articulação pode indicar uma estratégia pragmática visando ampliar espaço político em Sergipe, mesmo que isso custe desgaste junto a parte do eleitorado mais ideológico.
Candisse também entrou no centro da discussão ao destacar sua atuação na campanha de 2022, afirmando que contribuiu para um “marketing mais humanizado”. A fala gerou reações nas redes sociais, onde adversários questionaram sua real participação e a tentativa de reposicionar a narrativa da campanha após a derrota.
Enquanto isso, a pré-candidata tenta construir sua própria pauta, defendendo bandeiras como protagonismo feminino, políticas públicas voltadas às mães e a retomada de pautas sociais. Ainda assim, sua imagem permanece diretamente associada ao movimento político que uniu antigos adversários fator que deve continuar sendo explorado durante a disputa eleitoral.
Com o cenário em aberto, a aliança entre PT e PSD em Sergipe promete seguir como um dos temas mais sensíveis e controversos da pré-campanha, alimentando discursos tanto de defesa quanto de crítica sobre os limites entre estratégia política e coerência ideológica.