Sergipe voltou a registrar, em um único dia, mais um retrato brutal da violência contra a mulher. Dois casos de feminicídio foram registrados neste domingo, 22, em Aracaju e no município de Capela, provocando forte comoção e reacendendo um debate incômodo: o que ainda falta para frear esse tipo de crime no estado?
Na capital sergipana, o crime ocorreu em um hotel localizado no bairro Atalaia. De acordo com informações da Polícia Militar, acionada pelo Centro Integrado de Operações de Segurança Pública (Ciosp), a ocorrência teve início após denúncias de disparos de arma de fogo. No local, foi constatado que Tiago Sóstenes Miranda de Matos teria matado a companheira, Flávia Barros dos Santos, de 38 anos, a tiros.
Após o crime, o suspeito tentou tirar a própria vida. Ele foi socorrido e encaminhado ao Hospital de Urgências de Sergipe, onde passou por cirurgia e permanece internado sob cuidados médicos. O caso está sendo investigado pela Polícia Civil, com atuação do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), da Criminalística e do Instituto Médico Legal (IML).
O casal é natural da Bahia. Flávia era empresária e havia comemorado aniversário recentemente.
Horas depois, outro crime chocou o interior do estado. No povoado Pirunga, em Capela, uma mulher foi assassinada a facadas dentro da própria residência pelo ex-companheiro. Quando a Polícia Militar chegou ao local, a vítima já estava sem vida. O suspeito fugiu e segue sendo procurado.
Os dois casos, registrados no mesmo dia, escancaram uma realidade alarmante e levantam questionamentos sobre a efetividade das políticas públicas de prevenção e proteção às mulheres. Especialistas e movimentos sociais apontam que, embora existam leis e campanhas de conscientização, a violência de gênero continua avançando de forma preocupante.
Diante da gravidade dos crimes, autoridades se manifestaram publicamente. O governador de Sergipe, Fábio Mitidieri (PSD), afirmou receber as notícias “com indignação e tristeza” e reforçou que “não podemos, em hipótese alguma, tolerar a violência contra a mulher”.
Enquanto as investigações seguem em andamento, a sociedade volta a se perguntar até quando tragédias como essas continuarão se repetindo — e se as medidas adotadas até agora têm sido suficientes para proteger quem mais precisa.