Durante sessão ordinária realizada na manhã desta quarta-feira, 26, na Câmara Municipal de Aracaju (CMA), o vereador Elber Batalha voltou a falar sobre a investigação de irregularidades envolvendo a Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb). Desta vez, o parlamentar abordou a Operação Histograma, deflagrada pela Polícia Civil para investigar contratos de limpeza urbana da capital.
Na ocasião, Elber relembrou que um dos mandados da operação foi cumprido na residência do ex-presidente da Emsurb, Hugo Esoj, que também tem sido alvo de denúncias feitas pelo vereador durante o período em que esteve à frente da empresa.
“Isso é o prelúdio de uma tragédia anunciada. Boa parte dos senhores se lembram aqui que já em fevereiro, março de 2025, eu dizia, cuidado com o que está acontecendo com a Emsurb Eu dizia aqui, olhando para essa TV, Emília, eu estou lhe alertando, veja o que o Hugo Esoj está fazendo com a Emsurb O contrato da Renova, que foi extremamente fraudulento, ainda gerará sérios problemas para essa gestão.”
Ao falar sobre os contratos de limpeza urbana, Elber afirmou que já havia denunciado supostos indícios de superfaturamento e direcionamento na contratação da empresa.
“Antes da licitação sair o resultado, os caminhões da Renova já estavam plotados num sítio em Salgado, esperando para chegar para cá. Denunciamos também essa Aksa. Essa AXA é a mesma empresa que fez um contrato para cuidar de crianças com deficiência, crianças com necessidades especiais. Veja que empresa especializada. Ela cuida de carrinho de rolimã a turbina de avião. Ela cuida de coletar entulho de lixo a professor de Libras”, afirma.
O vereador também questionou o aumento dos valores dos contratos de limpeza urbana. “Sabe quanto era? 26 milhões. Sabe quanto é agora? 71 milhões para contratar o mesmo povo. O que custava em 2024, 26 milhões, na gestão Emília custa 71 milhões. E agora se vê o que Hugo e companhia faziam. Nessa brincadeirinha, aumentou em 90% o preço inicial da contratação. E com certeza, meus amigos, esse dinheiro voltava e voltava para o povo da gestão de Emília Corrêa. Emília Corrêa, que como se disse outrora, não sabe de nada, não vê nada, e ao meu ver não quer saber nem ver nada”, disse.
Elber também direcionou críticas à prefeita de Aracaju, Emília Corrêa, e questionou a responsabilidade da gestora sobre os atos praticados por integrantes da administração municipal.
“A senhora pode não ser autora do crime, mas é responsável pelo crime, sabe por quê? Porque existe culpa em vigilando. Isso é direito administrativo que a senhora bem conhece, mas esquece intencionalmente. Quando a senhora nomeia um secretário, a Constituição Federal disse que a senhora tem que vigiar esse secretário. Existe culpa e responsabilidade em elegendo, que é responsabilidade quando você elege mal um secretário para lhe representar. Esse povo está roubando o dinheiro do povo de Aracaju, debaixo do seu nariz, e a senhora não faz nada porque não tem autonomia, não tem coragem, não tem vontade, porque entrou numa inércia do poder. Aquela Emília Corrêa que existia aqui morreu, não existe mais. É a maior prova de que era uma farsa construída para ganhar as eleições. Aquele discurso de arrojo, de moralidade, hoje se perde”, afirmou.
Ao final do pronunciamento, o vereador voltou a criticar a postura da prefeita diante das denúncias.
“Me perdoem a indignação, mas eu não tenho mais paciência com a cara de Madalena arrependida de Emília Corrêa. Emília Corrêa quer se postar da inocente. Não cola mais. Não cola mais”, conclui.
Sobre a Operação Histograma
A Operação Histograma cumpriu 12 mandados de busca e apreensão em endereços de empresas públicas, empresas privadas e pessoas físicas, em Aracaju, Barra dos Coqueiros e na Bahia. Entre os alvos está o ex-presidente da Emsurb, Hugo Esoj.
Na sede da Emsurb, foram recolhidos documentos e computadores. Também houve buscas na Secretaria Municipal do Planejamento, Orçamento e Gestão (Seplog), localizada no prédio da Prefeitura de Aracaju.
Segundo a Polícia Civil, a investigação começou após uma notícia-crime sobre possíveis irregularidades em contratos emergenciais de limpeza urbana da Emsurb. As diligências apontaram inconsistências nos documentos e mudanças nos valores dos serviços: inicialmente, a empresa contratada teria oferecido descontos em relação aos preços previstos no projeto básico, mas contratos posteriores registraram aumentos nos valores unitários.
A empresa também teria ampliado sua atuação no município após vencer um novo processo de contratação de grande valor na Secretaria Municipal da Educação (Semed).
A operação foi realizada por equipes do Departamento de Crimes contra a Ordem Tributária e Administração Pública (Deotap), do Departamento de Crimes contra o Patrimônio (Depatri) e do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope).