A polêmica envolvendo a construção do novo cemitério municipal no bairro Santo Antônio, em Aracaju, acabou colocando a gestão da prefeita Emília Corrêa no centro de uma discussão que ganhou força entre moradores, lideranças políticas e representantes da comunidade.
Em meio às críticas, um ponto importante acabou ficando em segundo plano: a necessidade de Aracaju encontrar uma solução para o problema histórico da falta de estrutura funerária no município.
É preciso separar duas questões: a discussão sobre a localização escolhida pela Prefeitura e a necessidade de construir um novo cemitério. A população tem o direito de questionar o projeto, apresentar preocupações e cobrar explicações sobre os impactos da obra.
Nesse cenário, a decisão de realizar uma audiência pública na próxima semana, no Ministério Público de Sergipe, representa uma mudança de postura da administração municipal e abre espaço para o diálogo com os moradores.
A iniciativa também ocorre em meio à existência de uma decisão judicial que estabelece a obrigação de fazer, o que reforça a necessidade de a gestão buscar uma solução para a demanda.
É evidente que a estratégia inicial de comunicação da Prefeitura deixou margem para críticas e acabou contribuindo para que a discussão sobre o projeto fosse conduzida em meio a questionamentos e insatisfação popular.
Mas reconhecer os problemas não significa ignorar os acertos. A audiência pública pode ser uma oportunidade para esclarecer dúvidas, ouvir a comunidade e discutir alternativas, sem perder de vista a responsabilidade do município de enfrentar uma demanda antiga.
No fim das contas, a pergunta que precisa ser respondida é: como resolver a necessidade de um novo cemitério sem desconsiderar as preocupações dos moradores do Santo Antônio?
Entre a polêmica e a obrigação de encontrar uma solução, o diálogo será fundamental.